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O meu filho dava um livro...

... e vários filmes!!! Num elenco de luxo, temos como protagonista Salvador, nascido a 28.04.2010, em cenários da vida quotidiana. Registado no nosso dia-a-dia, por isso aconselha-se alguma prudência quando imaginar as cenas descritas: são bem reais..

O meu filho dava um livro...

... e vários filmes!!! Num elenco de luxo, temos como protagonista Salvador, nascido a 28.04.2010, em cenários da vida quotidiana. Registado no nosso dia-a-dia, por isso aconselha-se alguma prudência quando imaginar as cenas descritas: são bem reais..

Salvador, o esteta

Ainda a propósito das profissões, acho que o Salvador poderia ser muitas outras coisas... Desde que ligadas à estética.

 

Como já vos contei, o Salvador repara em pormenores que não lembram ao Diabo.

E tem um ego do tamanho do mundo.

 

Ele tem um sentido - e uma opinião - estética sobre tudo.

 

Quando tinha 2 ou 3 anos, adorava escolher a cor do meu verniz. E ficava maluco com as cores de verão. E, como eu não sou de ligar muito, cheguei a andar, em tempo de férias, com as unhas das mãos de verde fluorescente e as dos pés de lilás. Dizia ele que ficava bonito com os meus biquinis...

 

É claro que no que toca à faceta de esteta do meu filho eu não sou exemplo, porque até com meio prato de sopa pela roupa abaixo, sou «linda, Mãe. Tu és mesmo linda»... Principalmente se foi ele que me encheu de sopa.

 

Volta e meia sai-se com uma: «esses sapatos não ficam aí bem»; «gosto muito mais quando vestes-te assim»...

 

Agora, como os meus vernizes não passam de várias variações de vermelho - que já tenho idade para ter juízo - não liga tanto às cores, mas ao estado das mesmas. Ontem estava ao meu lado e deu-me a mão. De repente...

 

- Oh Mãe, tu andas com a mão assim?

 

Olhei para a mão e não vi nada de especial.

 

- Assim como, Salvador?

- Com as unhas assim!!

- Caramba, Filho, assim como, diz lá!

- Assim, todas... Todas... Bom, só esta aqui, com um buraco no verniz!!!

 

Vi mais atentamente e sim, ele tinha razão: o meu polegar direito tem uma pequena mossa no verniz.

 

- Tens razão, mas a Mãe agora não pode tirar o verniz senão estraga as outras unhas todas.

- Eu faço: não é só esfregar com aquele líquido cheira mal num algodão?

- É... Mas não te quero a mexer nessas coisas!

- Então pinta por cima outra vez!!

 

Já disse ao Pai que, no que me diz respeito, desde que ele seja feliz, pode ser cabeleireiro, manicure, pedicure, personal stylist... Não me interessa.

O que é mais engraçado é que ele repara e opina no que me diz respeito mas se eu o mandar para a escola de pijama, não está nem aí. Até é capaz de ficar feliz....

 

Carnaval? Não, vou trabalhar assim vestida...

- Estás mesmo bonita, Mãe - diz ele quando entro na cozinha esta manhã para verificar se estava a tomar o pequeno almoço.

- Obrigada, Filho - respondo enquanto lhe dou um beijinho na testa.

- Mãe, vais fazer uma pinta vermelha na testa? - pergunta.

- Como? 

- Se vais fazer uma pinta vermelha na testa? - insiste.

- Uma pinta na testa?

- Sim.

- Vermelha? - continuo, numa de ganhar tempo e tentar perceber que raciocínio é que aquela cabecinha estará a desenvolver.

- Sim.

 

Desisto.

 

- Não estou a perceber, Filho: porque é que eu deveria ir pintar uma pinta vermelha na testa?

- Porque estás tão bonita, vestida assim de indiana... É para uma festa de Carnaval na tua sala??

 

Por segundos, fico sem reacção...

 

- É, Mãe?

- Não. Não estamos no Carnaval... - respondo sem saber o que pensar.

- E pudemos fazer uma festa de carnaval aqui na minha casa?

- Não...

 

E continuo sem perceber a cena do «Carnaval», «indiana», «pinta vermelha na testa»...

 

- Salvador, explica lá à Mãe porque é que, pela roupa da Mãe, achas que é carnaval...

(digo já com um medo tremendo da resposta, antecipando que o mais certo, neste cenário, é eu acabar a mudar de roupa porque.... as crianças nunca mentem.)

 

- Então, Mãe: tens esses sapatos bonitos e cheios de coisas brilhantes mais parecem uns chinelos (Nota: são mesmo umas chinelas de verão) e depois tens essa coisa, que não é vestido porque é curta mas voa como um vestido,  parece os vestidos das indianas que aprendemos na escola (Nota: chama-se túnica e é um padrão tipo patchwork). Falta a pinta vermelha e as  calças também não podem ser assim...

 

Eu teria apreciado os conselhos de moda.

A sério que sim.

Se eu me estivesse mesmo a mascarar de indiana para um qualquer evento carnavalesco.

 

Mas não era o caso: eu estava apenas a tentar sair de casa para ir trabalhar.

Num estilo hippie-chic, pensava eu...

Afinal, e de acordo com os conhecimentos de moda / cultura mundial do meu Filho, ou estou a treinar para o carnaval ou estou apenas no continente errado...