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O meu filho dava um livro...

... e vários filmes!!! Num elenco de luxo, temos como protagonista Salvador, nascido a 28.04.2010, em cenários da vida quotidiana. Registado no nosso dia-a-dia, por isso aconselha-se alguma prudência quando imaginar as cenas descritas: são bem reais..

O meu filho dava um livro...

... e vários filmes!!! Num elenco de luxo, temos como protagonista Salvador, nascido a 28.04.2010, em cenários da vida quotidiana. Registado no nosso dia-a-dia, por isso aconselha-se alguma prudência quando imaginar as cenas descritas: são bem reais..

Papéis invertidos

Cenário da noite: Com o Pai ausente, Filho e Mãe deitam-se juntos na cama dos pais.

E cedo, para compensar a noitada de «Tubarões».

 

Cada um com o seu tablet, para dar aquele toque de «Não, o pessoal não foi dormir assim que acabou de jantar», ficámos, lado a lado, cada um na sua vidinha.

 

Cena 1:

- Mãe, quando é que vamos dormir?

- Quando eu disser: a Mãe sou eu, ontem deitámo-nos tarde e hoje não é para estarmos acordados muito tempo - esclareço para que não haja margem para dúvidas.

- Estááá beeeemmmm... - replica ele.

 

E logo de seguida:

- Mãe, pode-se saber porque é que estás com essa cara?

- Estou com sono, a bateria do tablet está quase a acabar e, quando isso acontecer, vamos dormir - resmungo, preocupada porque o Pai ainda não deu notícias.

- Huum, acho que 'tás a mentir a mim - diz ele sem tirar os olhos de uma versão natalícia do Bubble.

- Não, Filho, não estou. É só porque não estou a conseguir jogar como deve ser e estou irritada - invento - Desculpa, Filho.

- Podes até mandar a gente dormir, porque és a Mãe - começa ele - mas esse jogo é de crianças e, como eu sou A criança, quem manda nisso sou eu.

- Hã??? - pasmo.

- Sim - afirma ele convicto - Vais parar de jogar, pões o tablet a carregar p'a poderes trabalhar amanhã e desligas tudo que estás com uns olhos cansados de sono.

 

Cena 2:

- Mãe, fizeste o que eu mandei-te? - questiona em tom autoritário.

- Sim, Salvador: o tablet está a carregar e nós já estamos de luz apagada para dormir.

 

5 segundos de silêncio, numa voz doce:

- Mãe, tu 'tás preocupada com o Papá?

- Não Filho, estou só com saudades.... - minto pela segunda vez em menos de 10 minutos.

- Mãe, num preocupas-te, está bem?: eu estou aqui, sou o homem da casa e vou cuidar de ti. Chega p'áqui qu'eu faz-te festinhas na cabeça p'a tu dormires.

 

Cena 3:

- Mãe, importaste de desligar o telemóvel??

- Mas tu não estavas a dormir!!?!?

- Eu estava mas 'pois mexeste no teu telemóvel, com essas luzes todas, e eu agora acordei. Não achas que já é tarde??? - resmunga.

- Tens razão, Filho, mas estava só a mandar uma mensagem ao Papá para ver se ele já tinha chegado.

- E chegou?

- Sim, Filho, já chegou.

- Ele está bem?

- Sim, Filho, está, fica descansado.

- Eu ficava, Mãe, mas para isso deixa o telemóvel na mesa e dorme p'a eu dormir, que amanhã temos que acordar cedo para o trabalho e para a escola, certo?

- Certo, Salvador, certo....

 

Sempre foi minha convicção que haveria uma altura em que teriam de ser os filhos a pôr os pais na linha.

Nunca pensei que chegasse a vê-la, quanto mais a vivê-la.

E muito menos nas mãos de um pirralho de 4 anos...

 

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