Investidas noturnas
O Salvador está há cerca de 5 semanas doente; e as últimas 3 semanas passou-as em casa, com a Avó.
Apesar de já estar recuperado da pneumonia (sim, chegou aí...), ficou com as manhas todas de quem quer mimo e atenção porque está doente.
Esta semana a coisa exacerbou-se de tal maneira que, todas as noites, religiosamente como numa peregrinação, vinha ter connosco ao quarto 3 e 4 vezes com diferentes desculpas:
- "tenho sede"
- "tenho xixi"
- "é só para dar um beijinho"
- "vinha ver se estavas acordada"
O objectivo, esse, apenas um: dormir connosco.
Por diversas noites conseguiu vencer-me pelo cansaço e lá o deitava no meio de nós.
Contudo, esta noite, decidi ser forte - e por isso passei o dia a cabecear no emprego - e fazer tudo o que ele pedia, as vezes que ele pedisse, mas não o deixar ficar na nossa cama.
Levantei-me 4 vezes.
A desculpa, sempre a mesma: quero água.
À 4ª vez lá perguntei como é que era possível ele continuar com sede.
- Mas Mãe, tu sabes que a doutora disse a mim que eu tinha que beber muita água para não continuar doente!!
- Sim, Filho. E não podes fazer isso durante o dia?
- ... - hesita e não diz nada.
- Sabes o que vai acontecer?
- Vou ficar melhor?!?!
- Já estás melhor. Mas a Mãe está tão cansada porque não a deixas dormir que quem vai acabar por ficar doente é a Mãe e depois não vai poder ir trabalhar. E tu, esta noite, com tanta água que bebeste, vais acabar por fazer xixi na cama.
- Se isso acontecer é só um acidente, Mãe.
- Pois....
De manhã, antes de sair, fui ao quarto dele para lhe dar um beijinho.
Faço-o todos os dias apesar de saber bem que ele nem se apercebe de tão profundamente que está a dormir.
Mas esta manhã... havia um bafo quente e odor estranho a sair dele.
Tinha feito um pequeno xixi na cama.
Levantei-o, levei-o a fazer o resto na sanita, lavei-o, vesti-o de lavado, desfiz a cama, pus a roupa toda para lavar.
Quando o estava a mudar para que dormisse o resto da manhã na minha cama, sai-se com esta:
- Mãe?
- Sim, Filho?
- Porque é que estás assim vestida?
- Porque vou trabalhar?!?! Não estou a perceber a tua pergunta, Filho... - pergunto meio apalermada com a questão.
- É que...
- Diz, Filho.
- É que, como tu disseste, eu fiz xixi na cama...
- Sim. E?
- Pensei que, como tu também d'sseste, tivesses ficado doente e hoje ficasses comigo a brincar porque não ias trabalhar...
Nunca pensei que este também fosse um objectivo das investidas nocturnas...