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O meu filho dava um livro...

... e vários filmes!!! Num elenco de luxo, temos como protagonista Salvador, nascido a 28.04.2010, em cenários da vida quotidiana. Registado no nosso dia-a-dia, por isso aconselha-se alguma prudência quando imaginar as cenas descritas: são bem reais..

O meu filho dava um livro...

... e vários filmes!!! Num elenco de luxo, temos como protagonista Salvador, nascido a 28.04.2010, em cenários da vida quotidiana. Registado no nosso dia-a-dia, por isso aconselha-se alguma prudência quando imaginar as cenas descritas: são bem reais..

Dar a volta ao texto...

- Mãe, hoje podemos contar uma história a caminho da escola?

- Sim, Filho.

- Começo eu.

- Como quiseres.

- A história vai chamar-se «a águia bebé que não sabia o caminho para casa».

- Muito bem.

- Então é assim: Era uma vez uma águia bebé pobre que não sabia o caminho para casa.

 

Como íamos no carro e as estradas são tão boas, mal o consegui ouvir pelo que, para ter a certeza que ia acompanhar a saga desde o início, perguntei a fim de confirmar:

 

- A águia era pobre?

- Sim, Mãe. Mais ou menos... (silêncio)

 

Olhei pelo retrovisor e ele estava com um ar estranho. O silêncio prolongava-se pelo que decidi verificar que ele me tinha ouvido:

 

- Filho!?!?!

- Sim, Mãe?

- A águia era pobre, certo?

 

Mais silêncio.

Estava com aquela cara n.º 34, aquela que faz quando está perante um dilema.

 

Por muito que desse a volta à cabeça, não percebia qual era o problema com a minha pergunta (eram 7h40 da manhã, dêem-me o devido desconto...).

 

Pouco depois cheguei lá: ele pensava que eu o estava a questionar quanto à aplicação do estado de ser pobre a um animal, que, como ele bem sabe,  - porque sabe mais sobre animais que qualquer um de nós lá de casa - não têm dinheiro e, por enquanto, ele apenas reconhece a pobreza como consequência da falta de dinheiro (e ainda bem, porque quando conhecer a pobreza de espírito, enfim...)

 

Esperei mais um pouco e voltei à carga:

 

- Filho, a águia era ou não era pobre?

- Mãe, eu sei que disse que sim mas agora é não.

- Então?!!?!?

- Vou começar outra vez: Era uma vez uma águia bebé, coitadita, que não sabia o caminho para casa...

 

Até as lágrimas me vieram aos olhos com o esforço para não me rir!!!!

Confesso que metade da história ficou por ouvir: A isto se chama dar a volta ao texto, quando o conceito não se aplica ao contexto!!!

 

Claro que podia ter-lhe explicado que bastaria tão simplesmente dizer «era uma vez uma pobre águia bebé...», tal como ele ouve noutras histórias e agora tentava replicar na sua...

 

... Mas isso estragaria a surpresa que ele vai ter quando descobrir a quantidade de pessoas, como as que nos governam, por exemplo, que tendem a não compreender conceitos e contextos em que os aplicam, tipo confundir a estrada da Beira - que aconselho a tomarem como ponto de passagem para nos deixarem em paz - com a beira da estrada, aquele local onde, se continuarem assim, nos vão deixar a todos de mão estendida....

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