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O meu filho dava um livro...

... e vários filmes!!! Num elenco de luxo, temos como protagonista Salvador, nascido a 28.04.2010, em cenários da vida quotidiana. Registado no nosso dia-a-dia, por isso aconselha-se alguma prudência quando imaginar as cenas descritas: são bem reais..

O meu filho dava um livro...

... e vários filmes!!! Num elenco de luxo, temos como protagonista Salvador, nascido a 28.04.2010, em cenários da vida quotidiana. Registado no nosso dia-a-dia, por isso aconselha-se alguma prudência quando imaginar as cenas descritas: são bem reais..

A pneumonia que lhe deu superpoderes

O mês de junho deste ano foi terrível. O Salvador andava constipado, ou com uma tosse esquisita, febres baixas que iam e vinham, e nada do que o alergologista ou o pediatra nos mandavam fazer resultava.

 

Para compor o ramalhete das desgraças, ele andava completamente elétrico, de estar fechado em casa há tanto tempo. E andava tão speedado que nem deu pelo móvel do corredor, tendo batido lá com o sobrolho. Resultado: uma brutal nódoa negra que lhe apanhou quase o olho todo. Só não foi pior porque, como já estamos habituados, fez logo umas sessões de gelo e, no pós-gelo, fez arnica.

 

Às páginas tantas, fartos de tudo, levamo-lo a uma urgência hospitalar onde o diagnóstico preliminar foi pneumonia.

 

Quanto ao olho, a médica fez questão de salientar o ótimo trabalho que tínhamos feito. Menos mal…

 

Enquanto esperávamos para que as análises ao sangue e o RX fossem feitos e viessem os resultados (que confirmariam o diagnóstico), foi-nos pedido que aguardássemos na segunda sala de espera da urgência pediátrica, porque não sabendo se a pneumonia seria ou não viral, seria melhor mantê-lo afastado de todas as outras crianças que ali estavam.

Explicamos-lhe porque não podia sair dali e ele, contra todas as expectativas, não só compreendeu a explicação como acatou as indicações da médica, não ultrapassando os limites da sala.

 

Era a primeira vez que ia fazer análises ao sangue e não sabíamos como iria reagir. Demos-lhe uma ideia, muito por alto, do que ia acontecer e as enfermeiras – espetaculares, benza-as Deus!!! – colaboraram em todas as nossas patranhas.

- Mãe? Vai doer?

- Sim, Filho, mas é só um bocadinho, para te porem uma borboleta no braço. Depois a borboleta vai ficar aí e as senhoras vão encher uns tubos com o teu sangue, para poderem ver se tens bichos no sangue ou não.

- Ah, as borboletas não magoam! – diz ele muito mais descansado.

 

A verdade é que, quando o picaram, ele olhou para nós com um olhar suplicante, eu e o Pai fizemos coro a «Vai passar, pronto, já está, já passou!!!» e ele, nunca tirando os olhos de nós, aguentou estoicamente, sem uma lágrima.

 

Como ele é mexido, as enfermeiras colocaram-lhe uma rede para que o cateter não saísse do lugar. Para o animar dissemos-lhe que agora sim, ele era mesmo um super-herói: não chorou, portou-se lindamente quando viu o sangue dele, e agora, de prémio, tinha uma teia de superpoderes do Homem-Aranha na mão.

Foi o suficiente para se esquecer dos incómodos de ter ali o cateter. Passou o tempo a fingir que era o Homem-Aranha e ia lançando a sua teia poderosa sobre nós.

 

Entretanto, um casal com um bebé parou na entrada da sala antes de entrar no gabinete médico, pois estavam à espera do pediatra.

 

Avisei o Salvador para ir para o outro lado da sala, uma vez que, apesar de estarmos a aguardar o resultado do RX, a pneumonia era uma certeza.

- Filho, vai ali para aquele lado.

- P’a quê?

- Para não pegares os teus bichos ao bebé.

- ‘Tou a ir!!!! E…. Mãe? E este dodói, não vou pegar-lhe? – pergunta apontando para o olho.

- Tens aí algum móvel no bolso?

- Não.

- Então de certeza que não lhe pegas esse dodói!

- Tu és tonta, Mãe!!!

 

Sim. Estávamos nas urgências.

Sim. Ele estava com uma pneumonia e com um olho à Belenenses.

Mas não fosse ele ser este miúdo cheio de energia e bem-disposto, o mais certo era ter de ficar internado… O que a pediatra rejeitou, uma vez que, apesar da infeção pulmonar ser grande, era controlável por antibiótico sem ser intravenoso… e ela não estava bem a ver como é que conseguiriam mantê-lo uma noite, quieto, ali no hospital.

 

Há feitios que vêm por bem….

 

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