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O meu filho dava um livro...

... e vários filmes!!! Num elenco de luxo, temos como protagonista Salvador, nascido a 28.04.2010, em cenários da vida quotidiana. Registado no nosso dia-a-dia, por isso aconselha-se alguma prudência quando imaginar as cenas descritas: são bem reais..

O meu filho dava um livro...

... e vários filmes!!! Num elenco de luxo, temos como protagonista Salvador, nascido a 28.04.2010, em cenários da vida quotidiana. Registado no nosso dia-a-dia, por isso aconselha-se alguma prudência quando imaginar as cenas descritas: são bem reais..

Noite de Odiar

Para se enquadrarem na conversa:

1 - Ontem o Pai arranjou-lhe uvas porque ele está sempre a pedir; Ele demorou 1 hora a comer uma uva e meia e acabou por dizer que não gostava de uvas;

2 - Como já expliquei anteriormente, o Salvador é mais "ver para crer", tendo uma certa dificuldade em entender conceitos de coisas que não se vêem, tais como a alma.

 

Posto isto, vamos ao episódio de hoje, fresquinho de há meia hora:

 

- Mãe, os Anjos têm pés? - pergunta ele enquanto segura na mão o Anjo que os tios e primos lhe deram quando ele nasceu.

- Esse tem.

- E os outros? - insiste.

- Também devem ter.

- Há mais Anjos?

- A Mãe acredita que sim - respondo já a não gostar muito do rumo da conversa.

- Pois... Mas eu não acredito.

- Como assim?

- Não acredito e pronto. Eu nem gosto de Anjos... - diz ele com cara de mau.

- Como assim? - pergunto eu à beira do histerismo e sim, a tornar-me repetitiva.

- Não gosto e pronto.

- E tu por acaso sabes o que é um Anjo para não gostares? - disparo.

- Os Anjos são coisas de bebés; eu já não sou bebé; eu odeio Anjos.

- NINGUÉM ODEIA ANJOS!!!! E são coisas de bebés porquê?

- Porque são... E eu odeio Anjos, ponto!!!

 

Nisto, sai do quarto e começa a descer as escadas para a sala.

 

- Não vais levar brinquedos para baixo?

- Eu odeio brinquedos! - responde com desdém.

 

Para mim já chegava.

 

- Pode-se saber porque é que esta noite odeias tudo?

- Porque sim, porque eu decidi.

- Ah, desculpa, não sabia que esta era a Noite de Odiar... - ironizo

 

Entretanto ele já estava na sala, e para dar um corte radical na conversa dirige-se ao Pai:

- E então, as minha uvas??? - questiona em tom de exigência.

- É preciso ter lata!!, depois do que fizeste ontem! - responde-lhe o Pai.

- Com um bocado de sorte, ainda acaba a dizer que também odeia uvas, não é senhor Salvador?

- Salvador Gaspar Militão para si, senhora!

- Mau, mau, Salvador, estás aqui estás a ver a macaca com a Mãe!!! - aviso.

- Macaca és...

- PSSTTT, queres um açoite? É que nem vale a pena dizeres que odeias que o apanhas na mesma!!!

- E se eu não o apanhar???

 

Sim, as conversas com esta criatura são como jogos de pingue-pongue, mas essa história fica para outra núpcias pois o amigo atreveu-se a voltar a perguntar pelas uvas ao Pai...

Chamas a mim, OK?

Está tudo doente cá em casa. Ele inclusive.

 

Estava a lavar a louça do jantar e ele estava a acabar de comer.

- Quando acabares, trazes o teu prato e talher para eu lavar, por favor.

- Sim, Mãe. E arrumo o guardanapo na gaveta número 3? 

- Isso mesmo. Obrigada. 

- Mãe, olha uma coisa...

- Sim?

- Como tás doente, quando precisares de uma pessoa, chama a mim, OK?

- Hum? 

- Chamas a mim que eu faço o que precisares que eu já sou uma pessoa!!!!!

A Babysitter

- Mãe, conheces alguma babysitter? - dispara ele, com um sotaque tããão british, que tive de olhar pelo retrovisor para ter a certeza que era mesmo o Salvador que estava comigo no carro e que tinha sido ele a falar.

 

Assim, de repente, às 8 da manhã, acabados de entrar no carro e atrasados como sempre para as nossas vidas porque, para não variar, o «amigo» sofre de morning blues....

 

- Não sei, mas acho que não conheço, Filho. E tu sabes, só assim, por um acaso, o que é uma babysitter? - questiono curiosa com a resposta.

- Sei: é uma senhora, ou um senhor ou um jovem, que se chama para tomar conta dos bebés porque os pais têm de ir a algum lado fazer alguma coisa. Depois eles dão comida aos bebés, põem eles a dormir, levam eles a passear a algum sítio...

- Muito bem!!! É isso mesmo! - digo toda orgulhosa por, quem quer que seja que lhe tenha ensinado, não ter dito que só as mulheres é que podem ser babysitters.

- E quem é que te ensinou acerca das babysitters? - questiono com a certeza de que deverá ter sido na aula de inglês do dia anterior.

- Ninguém, Mãe, é daquelas coisas que eu ensino a mim próprio, que aprendo sozinho.

 

Oh para mim de boca aberta com a resposta...

 

- Sozinho, como assim? - insisto. - Viste num filme ou nos desenhos animados e perguntaste a alguém o que era?

- Não, Mãe, ensinei a mim mesmo, claro. Eu sou assim, sei muitas coisas...

 

E eu, pelos vistos, sei coisas a menos, principalmente todas aquelas que ele insiste em não revelar....

Conversas surreais

Confesso que muitas vezes tenho dificuldade em perceber onde é que o meu filho quer chegar com as conversas dele.

 

No outro dia estávamos os dois à mesa a jantar e ele pergunta-me:

- Mãe, onde é que eu estava agora?

- Como?

- Onde é que eu estava agora?

 

Eu estava francamente baralhada com os tempos verbais da questão e o agora….

 

- Como assim: onde é que estavas quando eras pequenino?

- Não, agora, agora: Onde é que eu estava agora?

- Oh Filho… Tu não estavas em lado nenhum, estás aqui comigo a jantar.

- A-GO-RA, onde é que eu estava agora? – insiste ele soletrando como se eu estivesse com alguma dificuldade em perceber o momento relativo à questão.

- Agora estás aqui comigo. Quando começaste a fazer a pergunta do «Agora», também já estavas aqui comigo a jantar….

- Não é isso que eu quero saber, Mãe!!! – diz ele exasperado, ante uma Mãe cada vez mais baralhada.

- Explica-me por outras palavras o que queres saber, Filho, porque sinceramente e como já percebeste, a Mãe não sabe o que queres saber… - digo-lhe.

- Eu quero saber onde é que estava agora.- responde-me calmamente.

- Agora mesmo, no segundo que passou?

- Isso!!

- Estavas para aqui a fazer-me perguntas que eu não estou a perceber enquanto estamos a jantar… - respondo pronta a colocar um ponto final na conversa.

- Vou perguntar outra vez, OK? – como se eu não tivesse ouvido.

 

O meu problema de compreensão da questão mantinha-se e ele não estava a saber explicar-se… A conseguir dizer-me, claramente, o que é que queria saber…

 

- Onde é que eu estava agora?

- Acho que me estavas a tentar enrolar para não jantares e não estás com sorte nenhuma: vamos lá esquecer o estava e o agora e toca a jantar antes que a comida fique fria.

 

- Aaaah, então era isso!?!?!?!?

- Isso o quê?!?!? – pasmo

- Nada…. – e recomeça a comer.

 

Confesso que pensei que esta fosse uma daquelas questões filosóficas encurralantes do género: como é que podes perguntar o que é determinada coisa se nunca a viste, não a conheces e não sabes qual a designação da mesma?

 

Mas não… Fiquei a saber o mesmo e ele, pelos vistos, teve a resposta que queria: que me estava a endrominar…

 

Mãe sofre…

Ser ou não ser... Eis a questão

A avaliação final do ano escolar 2013 /2014 do Salvador só nos foi entregue - por motivos que não interessam nada para este blog – na passada 2ª feira.

 

Sentei-me no sofá, depois de jantar, junto ao Salvador, a ler cuidadosa e detalhadamente a avaliação dos 7 professores / educadores de 8 das atividades dele (já tínhamos tido reunião com a terapeuta da fala…).

 

Eis quando me deparo com as observações da avaliação de Expressão / Educação Musical. Ponto a ponto , que é como quem diz, frase a frase:

 

  1. «O Salvador adora as aulas de música.» - Nada de novo para quem quer ser rockista;

 

  1. «Está sempre pronto a ajudar os colegas nas aulas.» - Felizmente que assim é e também não constitui grande novidade; 

    H.jpg

     

  1. «É uma criança muito responsável na sua função de “ajudante” do professor.» - Como foi que disse??? Responsável e ajudante, na mesma frase, e com respeito ao meu Filho????

 

  1. «Adora explorar os instrumentos tentando perceber como eles tocam.» - Que o digam os que ele já tentou desmontar… Mas sim, é muito curioso nesse sentido;

 

  1. «Adora canções com gestos.» - E, quando elas não os têm, saem à Mãe: inventa-os. Ficaram bem famosas as coreografias que eu e as minhas colegas de casa inventávamos no bar «Carocha»…. Ai, esperem, que isto não era para se dizer e muito menos aqui.

 

Em suma: não sabia que ele era responsável a ponto de ser ajudante de professor. Se andasse numa Universidade, seria um assistente.

Resolvi explorar.

 

- Oh, Pai – começo– Já leste o que o professor Daniel escreveu do Salvador?

- Não – responde o Pai – o que foi que ele disse?

 

Entretanto, o Salvador fingia – e mal – que não estava a seguir a conversa.

 

- Diz aqui que ele ajuda os amigos e que é o ajudante do professor…

- Filho, diz lá ao Pai e à Mãe:  é verdade?

- O quê? – Pergunta ele ao Pai, fingindo-se de desentendido…

- Que és o ajudante do professor de música?

- Não… - responde de forma displicente.

- Salvador – insisto eu – não como, se está aqui escrito?

- Ah é??

- Siimmm….

- Então, se calhar sou mesmo, se está aí escrito… É porque sou mesmo. 

 

Que modéstia, esta criança…

E depois das letras... Os números

Hoje o recado que vinha da escola dizia assim: «Fizemos uma ficha com números de 1 a 10. (...) Fizemos uma ficha com a letra A.»

 

Fiquei a olhar. Num misto de... Alegria e pasmo.

 

Ele já faz os números de 1 a 10.

Escreve-os com aquela mãozinha que há tão pouco tempo desaparecia quase até ao cotovelo dentro da minha...

 

- Fizeste uma ficha de números até 10?

- Hum, hum... - estávamos a jantar e ensinámos-lhe que não se fala de boca cheia. Mas eu não consegui esperar que ele engolisse.

- E gostaste?

- Hum, hum...

- E conseguiste fazer tudo?

- Hum, hum... - Chiça, que nunca mais acaba de engolir!!!

- E pediste ajuda à Marina?

- Nhãaa!!! - YESSS!!!! Engoliu!!

- Espera um bocadinho e conta ao Pai e à Mãe!

- E os amiguinhos também conseguiram todos fazer a ficha? - pergunta o Pai.

- Sim.

- E tu fizeste os números bem?

- Sim, a Marina até disse a mim «Dá cá mais cinco»!!!

 

Fiquei feliz.

Por ele, pelos amigos e pelo excelente trabalho que a Marina e a Júlia desenvolvem com eles.

 

E depois fui reler a informação de hoje outra vez...

 

«O nosso Salvadocas é muito desenvolvido e inteligente, aprende tudo à primeira. E, assim que aprende, gosta de ajudar os amigos... Mas sempre assim foi, desde muito pequenino =)

É um às na matéria =)...

Muito amigo dos amigos, desde o mais caladinho ao mais extrovertido... Como bem o disse (na avaliação), é um bom líder de grupo =) (...)».

 

Sim, sou uma Mãe muito babada e orgulhosa do meu rebento!!!!

 

Estou mesmo triste....

Ontem o meu filho aprendeu a escrever as vogais.

Ontem. Na escola.

 

Ele só tem 4 anos e meio e eu sempre tive o sonho que seria eu a ensinar o A E I O U a um filho meu.

 

Por muitos elogios que a educadora lhe tenha tecido - e por muito orgulhosa que me sinta do meu pequenote - não consigo deixar de me sentir triste.

 

Mas PORQUÊ????

Porque é que temos de perder estes momentos dos nossos filhos?

Porque é que não me lembrei que a escola poderia adiantar-se???

 

Mas como prever que ainda na creche lhe começariam a ensinar já estas coisas!?!?!?

Sinto-me uma perfeita banana, por não me ter inteirado do programa educativo para este ano... Mas isso costuma acontecer sempre na reunião de Pais no início do ano, que ainda não aconteceu....

 

MAS PORQUE É QUE NÃO ME LEMBREI ANTES!?!?!?!?!

Que tristeza....

 

Com o tempo que passamos nos nossos empregos, parece que, em relação aos nossos filhos, chegamos sempre a eles.... ONTEM!

Não quero mais chegar atrasada....

 

 

Duche de leite

Assim que cheguei ao pé dele ontem à noite, disparou:

- Ainda bem que chegaste, Mãe.

- Eu também estou contente por estar finalmente em casa....

- Tenho uma coisa para te contar que te vais fartar de rir!!!

- A sério? Então conta lá!

- Hoje estava com o Rodrigo, a brincar, levantei os braços e a Marina deu-me um banho de leite!!!!

- Um banho de leite? - perguntei meio aparvalhada...

- Sim, Mãe, de leite!!!! Acreditas!?!?!? - creio que aqui o meu aparvalhamento foi confundido com incredulidade.

- Vindo de ti, acredito em tudo!! - explico - Mas onde é que estavas para levar com o leite? No refeitório?

- Sim - confirma ele - estávamos na hora do lanche.

- E então como é que vieste vestido para casa?

- Sei lá. Eu vim vestido com uns calções e um casaco.

- Casaco???

- Sim, de mangas curtas.

- De t-shirt?

- Isso!!

- E a Marina, também se sujou?

- Sim.

- E ela também mudou de roupa?

- Não. Ela ficou toda suja e eu fiquei com o cabelo duro... parecia uma pedra!!! Que nojo!!

 

Bem, pelo menos não ficou cliente deste tipo de duche.

Com a faceta de esteta poderia dar uma de Cleópatra e agora exigir banheiras de leite de cabra....

Salvador, o esteta

Ainda a propósito das profissões, acho que o Salvador poderia ser muitas outras coisas... Desde que ligadas à estética.

 

Como já vos contei, o Salvador repara em pormenores que não lembram ao Diabo.

E tem um ego do tamanho do mundo.

 

Ele tem um sentido - e uma opinião - estética sobre tudo.

 

Quando tinha 2 ou 3 anos, adorava escolher a cor do meu verniz. E ficava maluco com as cores de verão. E, como eu não sou de ligar muito, cheguei a andar, em tempo de férias, com as unhas das mãos de verde fluorescente e as dos pés de lilás. Dizia ele que ficava bonito com os meus biquinis...

 

É claro que no que toca à faceta de esteta do meu filho eu não sou exemplo, porque até com meio prato de sopa pela roupa abaixo, sou «linda, Mãe. Tu és mesmo linda»... Principalmente se foi ele que me encheu de sopa.

 

Volta e meia sai-se com uma: «esses sapatos não ficam aí bem»; «gosto muito mais quando vestes-te assim»...

 

Agora, como os meus vernizes não passam de várias variações de vermelho - que já tenho idade para ter juízo - não liga tanto às cores, mas ao estado das mesmas. Ontem estava ao meu lado e deu-me a mão. De repente...

 

- Oh Mãe, tu andas com a mão assim?

 

Olhei para a mão e não vi nada de especial.

 

- Assim como, Salvador?

- Com as unhas assim!!

- Caramba, Filho, assim como, diz lá!

- Assim, todas... Todas... Bom, só esta aqui, com um buraco no verniz!!!

 

Vi mais atentamente e sim, ele tinha razão: o meu polegar direito tem uma pequena mossa no verniz.

 

- Tens razão, mas a Mãe agora não pode tirar o verniz senão estraga as outras unhas todas.

- Eu faço: não é só esfregar com aquele líquido cheira mal num algodão?

- É... Mas não te quero a mexer nessas coisas!

- Então pinta por cima outra vez!!

 

Já disse ao Pai que, no que me diz respeito, desde que ele seja feliz, pode ser cabeleireiro, manicure, pedicure, personal stylist... Não me interessa.

O que é mais engraçado é que ele repara e opina no que me diz respeito mas se eu o mandar para a escola de pijama, não está nem aí. Até é capaz de ficar feliz....

 

E pensava eu que já lhe tinha passado....

Ele já quis ser tudo: Bombeiro, veterinário, rena do Pai Natal (sim, leram bem, Rena do Pai Natal!!!!).

 

Ele também já quis ser um vitelo e passou dois meses a chatear-me porque eu não queria ser uma vaca. O objectivo dele de vida, nesta mui nobre profissão de vitelo, era estar todo o dia ao sol nos pastos verdes....

 

Mas desde que viu os Moonspell no anúncio da Optimus que quer ser... Rockista.

Daqueles que têm «guitarras de picos» - guitarras eléctricas - e cantam muito.

 

Agora, com a guitarra a pilhas que era do primo - e que pouco mais dá que a melodia de «My Way» do Frank Sinatra, ele senta-se na varanda (ideia da Avó Lu, para não "partir" a cabeça a toda a gente) e toca guitarra.

 

Só visto - como eu agora mesmo estou a ver: sentado na cadeira, pernas cruzadas, a tocar guitarra, cabeça meia de lado, corpo a balançar, trauteando letras que inventa na hora...

 

Ele pode nem vir a ser rockista, afinal tem só 4 anos e meio, mas postura e imaginação para letrista não lhe falta.

 

Ontem era assim:

"Queria ir à piscina mas está a chover

A Mãe não quer eu a cantar na sala

Agora estou aqui para toda a gente me ver

A cantar na varanda..."

 

Não rima, mas... Ouvi-lo é demais!!!!