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Curtas do dia #1

Registado pela Mamã, em 25.03.17

Saídos do cabeleireiro, tirei-lhe uma foto e postei-a no facebook. Esta aqui.

Antes de irmos tomar banho, mostrei-lhe a lista enorme de comentários e likes.

- UAU!!! Nunca pensei...

- O quê Filho?

- Sou BUÉ FAMOSO, caraças!!!!!

 

# # # # # # # # # # # # # # # # # # 

 

Antes de entrar para o banho pergunto-lhe:

- Não achas melhor fazeres chichi?

- Nem sei se tenho.

- Vê lá bem.

- EEEEIIIIIII, este canhão tem de ir disparar!!!

- Como!?!?!?

- Afinal, tenho que ir fazer chichi....

 

# # # # # # # # # # # # # # # # # #

 

Depois de lhe secar o cabelo, tiro-lhe nova foto, desta vez para mostrar como é que vai ficar, porque não estou a fazer conta de o pentear todos os dias com cera.

Posto-a no Facebook, aqui, com ele a ver.

10 segundos depois já tinha 2 likes e dois comentários. A reação dele:

- Só dois????

- Mas eu só pus a fotografia agorinha mesmo!?!?!?!?

- Ah, mas vê bem, é bom que eu fique tão famoso nesta como fiquei na outra!!!!

 

É tão vaidoso. Mas tão vaidoso.

O que me vale é que eu volta e meia consigo tirar bons proveitos disso 

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A bolacha errada do pacote

Registado pela Mamã, em 24.03.17

Há quem se ache a última bolacha do pacote. 

O Salvador sofre da Síndrome «Tirei a bolacha errada do pacote».

 

Bem sei que a nossa vida nos últimos meses foi confusa e ele sofreu com isso.

Mas já estamos na casa nova desde Dezembro e, honesta e ingenuamente, acreditei que isto, como tudo o resto, acabaria por passar.

 

Não podia estar mais enganada.

 

Tudo para ele é exactamente ao contrário do que ele quer: as rotinas, os horários, a roupa que tem de vestir, a comida, os brinquedos, os livros....

Até os dias da semana estão mal: escola era ao sábado e domingo e os outros dias passavam a ser os dias inúteis.

 

Hoje não estou a conseguir aguentar: a Síndrome está num ataque agudo e pouco deve faltar para lhe dar com o «pacote no toutiço» a ver se acertamos na bolacha de uma vez por todas.

 

- Quando é que comeste o lanche que te mandei? - pergunto.

- Que lanches é que tu pagas?

- Todos. Já te expliquei e isso agora não vem ao caso. Quando é que comeste o lanche que te mandei? - insisto.

- Com a Jack.

- Muito bem. Como estavas com a Paulinha, na 2ª feira, tal como te tinha dito, pergunto à Jack.

- Não comi com a Jack.... Comi no lanche.

- Qual deles?

- No da tarde.

 

Estamos a chegar ao carro e ele grita no meio da estrada:

- Estou cheio de fome!!!!

- Temos pena. Quando me pediste que te deixasse levar o lanche de fim de tarde para a escola, ao invés de o comeres no carro a caminho de casa, avisei que o lanche era para comer depois do lanche da tarde, quando te desse a fome. Já conversámos sobre isso vezes e vezes sem conta. O objectivo é comeres alguma coisa antes de chegares a casa para depois, quando chegares, tomares banho e irmos à nossa vidinha, certo?

- Não volto a comer daqui até ao Inverno!!!! - grita-me.

- Primeiro, atenção ao tom de voz. Não te admito que fales assim seja com quem for, muito menos comigo. E segundo, sabes que a Primavera começou esta semana, certo? Ainda faltam muitos meses até ao Inverno...

- E então? Prefiro morrer à fome do que ouvir sermões....

 

Não respondi. Não que não quisesse, mas senti-me impotente.

Destroçada. Frustrada. Irritada. Com uma vontade enorme de chorar...

 

Chegados a casa, assim que lhe abri a porta do carro, começou a chorar porque estava a chover. 

Assim que entrou voltou a dizer que estava cheio de fome.

Começou a descalçar-se e dou com ele a chorar atrás do sofá:

- O que foi agora, Salvador?

- E O QUE É QUE ISSO TE INTERESSA??????

- COMO!!?!?!?!?!?!? DEVO TER PERCEBIDO MAL!!!!!!!! O QUE É QUE DISSESTE!?!??

Ficou a olhar para mim. Esgazeado.

 

E eu, ali, destroçada. Arruinada por dentro.

Porquê??? 

 

Depois de jantar, mais calmo, vem do quarto a grunhir e arfar.

- O que foi, Filho???

- Porque eu ia fazer desenhos e a capa do bloco rasgou-se.

- Não faz mal. Desde que as folhas não se soltem, não tem problema. E mesmo que elas se soltem, arranjamos forma de as prender para não se estragarem. Não te preocupes.

- Oh pá, mas isto assim... Isto assim....

- Não tem problema. Dá para desenhares?

- Sim.....

- Então esquece que a capa se rasgou. Protegemos as folhas de outra forma.

 

Vim para o pc.

Pus os phones a ver se conseguia arejar a cabeça por dentro porque ainda apanho uma pneumonia se tentar ir arejá-la lá fora.

Começo a ouvir uns bramidos, uns grunhidos, misturados com uns guinchos e uns soluços. Quando tiro os phones, um rasganço de folha.

- Que se passa, Salvador?

- Este desenho está horrível, eu não sei fazer desenhos como eles na televisão estão a ensinar, é feio e é horrível...

Vou junto a ele.

- Vem cá à Mãe... - peço doçamente.

- Para quê? Isso vai fazer com que eu saiba desenhar um T- Rex???

 

É sexta-feira.

Final de uma semana com 3 testes para ele e com consultas e exames médicos para mim, além do dia-a-dia normal que, já de si, é esgotante.

Estamos cansados, eu sei.

Mas sinto-me impotente.

Frustrada.

Zangada comigo mesma.

 

Ele odeia regras, rotinas.

Não se lhe pode pedir nada que saia do que lhe apetece, seja o que for: fazer, comer, vestir, ouvir....

Tal não significa que lá por lhe ter saído a bolacha errada no pacote lhe seja permitido fazer o que quer, quando quer e como bem entende. 

Mas é esgotante.

Frustrante.

Explicar, todos os dias, que há formas de estar e de agir que são as corretas, que existem regras de comportamento que é expectável que cumpra: na escola, com os outros, em casa, em família....

 

Não estou a criar um monstro, eu sei.

Ele é meiguinho, inteligente, um coração mole. Quando quer. Se quiser...

 

Também sei que não sou um caso isolado, mas ele é o meu «filho isolado».

A única bolacha no meu pacote parental.

E tenho dias em que não sei que forma mais inventar para lidar com ele. E quem me conhece sabe que eu tenho uma imaginação desenfreada....

 

Enfim, amanhã será um novo pacote.

De onde, esperemos, saia, pelo menos de quando em vez, uma bolacha certa.

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Curtas do final de dia #1

Registado pela Mamã, em 23.03.17

No carro, a caminho de casa, e não necessariamente por esta ordem:

 

- Amanhã tens teste de Estudo do Meio.

- Tenho. E um dia vou ter Estudo da Ponta?

 

##########

 

- Salvador?

- ....

- Salvador?

- HUMMMMMM?!?!?!? - grunhe.

- Dois, ganhei!

- Quê?

- Isso!!!

- Isto é uma conversa??????

- Pelo menos não podes dizer que eu não tentei, Filho....

 

#################

 

- Correu bem o dia?

- Sim.

- Os professores não te chamaram a atenção, soubeste comportar-te? 

- Sim.

- E já recebeste a nota do teste de Inglês?

- Não.

- E o professor N. disse se iam receber amanhã?

- Disse.... - Silêncio sepulcral...

- E então, o que foi que ele disse?

- Que eu não vou saber a minha nota amanhã porque hoje me portei mal...

 

Me engana que eu gosto....

 

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E o prémio de melhor SP de todos os tempos vai para....

Registado pela Mamã, em 22.03.17

... Os amigos dos nossos filhos!!!!

São os melhores Service Providers / Serviço Público (SP's) do Mundo!!!!!

Pena que com validade limitada, é certo, mas já iremos a essa parte....

 

As razões para «os Melhores SP da Galáxia» valem ouro no coração das mães (ainda que muitas não tenham tomado consciência da importância da existência destes pequenos obreiros nas suas vidas):

 

1. Eles poupam-nos minutos preciosos ao final do dia quando, chegadas à escola, e en passant, disparam:

- O Salvador está na Sala de Estudo

- Está na Ludoteca

- Mãe do Salvador, é na sala de baixo do sótão... 

Acabou-se o perder tempo a ir de sala em sala: São 10 minutos desde que paro o carro até que volto a entrar nele com o meu filho a reboque. E isto porque deixo o carro longe da entrada da escola para fugir à confusão.

Claro que isto acontece comigo porque quase todos os amigos e conhecidos do Salvador me conhecem. Apesar de, mea culpa, eu não saber o nome de 90 por cento deles e outros nem saber ao certo como é que me conhecem....

Já o Pai do Salvador, quando o tem que ir buscar, é capaz de, uma ou outra vez, ter de fazer piscinas escola fora.

 

2. As mentiras têm pernas ainda mais curtas que o normal 

Eles não perdem uma oportunidade de contar os podres do dia dos amigos aos pais destes. Assim, em vez de termos um episódio de mau comportamento que só nos é revelado porque eles são uns Toni's e, de quando em vez, se descaem, sabemos tudo com tanto pormenor como se estivéssemos estado a assistir em 1ª fila.

E a maior vantagem de todas é que acabamos com um mínimo de 3 versões para o mesmo acontecimento: a do amigo, a da nossa cria e a da professora / educadora / auxiliar. E em todas, só o mau comportamento bate sempre certo. O resto, bom.... Detalhes!!!

 

3. Correm para nos contar as injustiças que, por vezes, os nossos filhos preferiam esconder 

As crianças odeiam injustiças. Não as suportam. E quando não conseguem ser os Vingadores para socorrerem os amigos na altura em que elas acontecem, "vingam-se" contando aos pais para que eles possam tomar uma atitude.

Queixam-se de quem lhes bate. De boladas propositadas em jogos amigáveis de futebol. De rasteiras e pequenas lutas. De que lhes "roubaram" brinquedos, cartas, cromos, o que for. 

E dão o corpo ao manifesto se estiverem em maioria, não importa o tamanho do «agressor».

Esclarecem em detalhe desesperante de minucioso qualquer situação em que consideram que as «autoridades escolares» foram injustas.

Perguntam-nos o que vamos fazer pelo nosso filho. Fazem com que nos sintamos envergonhados quando respondemos que «as coisas são mesmo assim».

Impotentes envergonhados por não sermos mais como eles. Desafiantes.

 

4. Fazem-nos sentir queridas e populares 

A minha manhã pode ser o maior stress até chegar à escola. Mas saio de lá sempre com o coração um pouco mais «quentinho». Porque as meninas me dão beijinhos e abracinhos; os meninos acenam-me e gritam-me "olá" e "bom dia" ainda que estejam a uns 100 metros de mim.

E recebem sempre o Salvador com grandes abraços. Como se tivessem passado a vida toda à espera dele.

E sentirmos que os nossos filhos têm amigos assim é uma sensação impagável. Um descanso para a alma inquieta de mãe sempre preocupada.

 

4. Arranjam-nos amigos especiais e queridos.... E vida social em barda!

Não somos de cá. Os nossos amigos-âncora de toda uma vida ficaram de onde saímos.

O Salvador nasceu aqui. É o nosso Special One, como o são todos os filhos para os seus pais. 

Mas saber reconhecer que os Special One's dos outros pais são também Special One's nas nossas vidas não é para todos.

A reboque das suas amizades, começamos a conviver com outros pais.

E desabafamos. E trocamos impressões e experiências.

E tornamo-nos amigos, não porque sim, mas porque gostamos dos pais como os nossos filhos gostam uns dos outros.

Temos encontros nem que seja nas festas de aniversários.

Tomamos café a correr na escola só para podermos pôr a conversa em dia.

Damos abraços quando sentimos que a outra mãe precisa.

Fazemos confidências. Inconfidências. Rimo-nos muito.

E sentimos saudades profundas quando os nossos filhos mudam de escola e nos encontramos menos vezes.

Fazemos «pool de mães»: temos uma cadeira a mais no carro para, quando outra mãe fica enrascada, os filhos virem connosco. Os nossos e os delas. Todos filhos. Todos Special One's.

 

 

O problema é que este prémio tem prazo de validade.

Ainda que os pontos 3 e 4 possam não sofrer grandes alterações (excepto na efusividade dos cumprimentos matinais), certo é que, mal cheguem à adolescência, os pontos 1, 2 e 3 sofrem uma mudança de 180 graus:

 

1 - Não sabem onde está o amigo, muito menos com quem ou a fazer o quê. E isto tudo enquanto enviam um SMS a avisar que «a tua mãe anda à tua procura».

 

2 - Acabam por ser coniventes com as mentiras. E, se for preciso, ajudam a criá-las, não vá o amigo não ter imaginação suficiente para inventar uma que passe por verdade absoluta.

O lema passa a ser «tapa a minha careca que eu tapo a tua»....

 

3 - Raramente contam o que quer que seja. E, se se armam em Vingadores, o normal é a "coisa" acabar verdadeiramente mal para alguém. Ou para alguns, pelo menos.

 

Não podem ficar com esta amizade-ingenuidade dos 6 / 7 anos para sempre, please???

Cresçam só no resto, que já estou com saudades....

 

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O corte na testa

Registado pela Mamã, em 15.03.17

Saímos de casa tarde e com a certeza de que ele iria chegar atrasado à escola.

 

Faço a curva e entro na estrada principal.

Aquilo ali é uma fila ou só dois ou três carros????

Bolas...

 

- Mãe, que é isso que tens na testa?

- Na testa? O quê?

- Aí, esse corte fundo...

 

(Corte fundo? Que ele vê através do espelho retrovisor? Deve estar a sangrar muito!!! Mas não me dói nada!!! 

Tudo isto me passa pela cabeça no nano segundo que demoro a olhar para o meu reflexo no espelho...)

 

- Corte???, não vejo nada! - Respiro fundo. Nada de sangue. Nada que nos atrase ainda mais.

- Isso aí, muito fundo, a sair do teu nariz a caminho da testa, Mãe!!! - retruca ele exasperado como se eu estivesse para morrer e não quisesse acreditar.

- Isto???? - digo ao mesmo tempo que aponto....

- Sim!!!!! O que é que te aconteceu???

 

(Ser expressiva demais? O tempo? A vida? Esta manhã? O trânsito? As tuas birras???)

 

- Nada, não aconteceu nada, filho.... Está descansado. Queres ver? Já desapareceu!!

- EEEHHHHH... Como é que fazes isso??

- O quê?

- Fazeres esse corte enooooooorme desaparecer?!?!?!?

- Filho..... (não me apetece mesmo nada acabar com este momento de «magia da Mãe»....)

- Diz lá!!!!

- Filho, isto não é um corte....

- É o quê???

- Chama-se..... (aqui vai disto....) Ruga. Isto é uma ruga, Filho.

- Tiveste muito tempo a lavar a cara com água quente e ficaste assim?!?!?!?!? Engelhada?!?!?

 

Quais cremes anti-rugas, quais quê.... Não há melhor lifting que um filho assim!!!!

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... e vários filmes!!! Num elenco de luxo, temos como protagonista Salvador, nascido a 28.04.2010, em cenários da vida quotidiana. Registado no nosso dia-a-dia, por isso aconselha-se alguma prudência quando imaginar as cenas descritas: são bem reais..



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